O Ônix Azul que dá vida a esta cacatua pertence a uma família de minerais formados ao longo de milhões de anos em cavidades de rochas carbonáticas, onde águas subterrâneas ricas em carbonato de cálcio depositaram, camada por camada, faixas de mineral de rara beleza. Cada veio azul é um registro preciso de um episódio deposicional — uma mudança de temperatura, química da água ou presença de traços metálicos como cobre ou manganês que resultaram nessa tonalidade única. A translucidez do Ônix Azul é um de seus atributos mais extraordinários: posicionada sob luz adequada, a pedra parece iluminar-se de dentro, como se carregasse, aprisionada em seus cristais, um pedaço de céu.
O ônix acompanha a história humana há mais de quatro mil anos. Sumérios o utilizavam em amuletos de proteção; faraós egípcios o reservavam para vasos cerimoniais em tumbas reais. Gregos e romanos o gravavam com perfis de deuses e imperadores — o próprio nome "ônix" deriva do grego para "unha", ligado ao mito em que as unhas da deusa Afrodite se tornaram pedra. O azul, por sua vez, era cor sagrada no Egito antigo: associado ao firmamento, às águas primordiais e aos deuses que carregavam a palavra entre os planos. Uma pedra azul, para as civilizações antigas, era uma pedra do céu — e é exatamente esse o material desta escultura.
