As Pontas de Selenita — a maior com 33 cm e a menor com 20 cm — são expressões puras do que a natureza é capaz de produzir: cristais de sulfato de cálcio hidratado (CaSO₄·2H₂O) formados pela evaporação lenta e precisa de mares interiores ao longo de milhões de anos. Cada camada translúcida visível em sua estrutura é um registro fiel das condições geológicas de uma era remota — temperatura, salinidade, pressão. A formação de pontas com dupla terminação natural é ainda mais rara: elas crescem em solo macio, livres de qualquer matriz rochosa, expandindo-se simultaneamente em ambas as extremidades. Não há intervenção humana nessa geometria perfeita. Apenas tempo, água mineral e equilíbrio químico operando em escala geológica.
Os gregos antigos batizaram esse mineral de selēnítis líthos — "pedra da lua" — em homenagem à deusa titã Selene, filha de Hipérião e Teia, irmã do deus solar Hélio. Selene percorria o céu noturno em sua carruagem de cavalos brancos, transformando a escuridão em claridade serena. O cristal que carrega seu nome herdou essa simbologia com razão evidente: sua translucidez captura a luz e a transfigura em um brilho suave, quase lunar. Na Idade Média, alquimistas europeus escolhiam placas de selenita para gravar seus conhecimentos mais secretos, convictos de que o mineral canalizava sabedoria divina e protegia o saber sagrado da profanação.



