A selenita é a expressão mais cristalina do gesso — sulfato de cálcio di-hidratado (CaSO₄·2H₂O) — formado em ambientes evaporíticos onde mares internos ou bacias salinas evaporaram lentamente ao longo de centenas de milhares de anos. Em cavernas como a Cueva de los Cristales de Naica, no México, e a Geoda de Pulpí, na Espanha, cristais de selenita cresceram submersos em águas subterrâneas estáveis, a temperaturas em torno de 20 °C, na taxa de poucos micrômetros por dia. Esse ritmo quase imperceptível produziu os maiores cristais naturais já descobertos — alguns com mais de dez metros de comprimento, formados em silêncio absoluto durante eras geológicas.
O nome selenita vem do grego selḗnē — Lua — em referência ao brilho nacarado e suave que suas superfícies irradiam, como se guardassem dentro de si a luz contemplativa da noite. Em Roma antiga, lâminas finas desse mineral, conhecidas como lapis specularis, eram usadas como janelas translúcidas antes do surgimento do vidro, filtrando a luz do sol nos interiores de templos e palácios. O terço, por sua vez, surgiu consolidado entre os séculos XII e XIII como instrumento de meditação da fé católica — um "jardim de rosas" oferecido espiritualmente à Virgem Maria, com 150 contas ecoando a estrutura dos 150 Salmos monásticos.



