As três araras são talhadas em quartzo rosa, que se forma em pegmatitos e veios de quartzo quando fluidos ricos em sílica cristalizam lentamente no interior da crosta terrestre. A cor vem de fibras microscópicas de um borossilicato aparentado da dumortierita, como mostraram pesquisas publicadas no periódico American Mineralogist, e é isso que dá ao cristal a translucidez leitosa e um tom que nunca se repete de um bloco para outro. O bloco em que elas pousam é de amazonita, a variedade verde-azulada da microclina, um feldspato de potássio. Sua cor nasce de traços de chumbo e de água presos na estrutura do cristal, que a radiação transforma em centros de cor, como descreveu um estudo publicado no mesmo periódico em 1985.
A arara acompanha os povos das Américas há séculos. Em Paquimé, no norte do México, arqueólogos encontraram uma fileira de viveiros no centro da antiga cidade, com cascas de ovos, esqueletos e vestígios de poleiros de madeira: as araras-vermelhas eram criadas ali porque suas penas eram consideradas sagradas nos rituais da Mesoamérica. No Brasil, as longas penas da cauda da arara têm lugar de destaque na arte plumária indígena, dos antigos cocares dos Waiãpi aos objetos dos Palikur, que atribuem grande poder às penas da arara-canga. Já o nome da amazonita, dado em 1847, homenageia o rio Amazonas, embora seja duvidoso que a pedra ocorra na região.
